História

Franca, Eu te chamo”

   


INICIO DO MOVIMENTO CARISMÁTICO DE ASSIS


 
Num encontro com um grupo do MC, Franca contou um pouco de sua história, de como começou a perceber as locuções interiores e de como o Senhor a conduziu para que tomasse consciência e acreditasse naquilo que estava sentindo.
Reproduzimos aqui um resumo deste registro.



A mesma sede Eu tenho de ti”

Um dia, Franca se encontrava em casa e estava com sede. Foi beber um bom copo de água e sentiu, improvisamente, uma voz:
- "A mesma sede eu tenho de ti".
Franca ficou preocupada, não havia ninguém em casa. Olhou fora da janela da casa, mas também ninguém estava no pátio...

            Mais tarde, Franca estava sozinha preparando o jantar e foi apagar o fogão, pois a sopa já estava pronta. Aí sentiu dizer:
- "Vês, tu apagas a chama do fogão, porque a sopa está pronta. Eu também apago a vida terrena de vocês, quando tudo está pronto".

Franca ficou espantada. Estava só em casa e não entendia de onde vinha essa voz, se de dentro ou de fora de si. Então se trancou no quarto e começou a rezar a Deus e a chorar, pedindo a Deus que a ajudasse a entender o que estava acontecendo com ela. Suas lágrimas desciam sobre a colcha que era desenhada com círculos de flores, cada qual contendo três flores iguais.

            E ainda sentiu naquele momento a mesma voz:
- "Vês, as três flores do círculo? Somos Eu, Jesus e tu".
- "Oh, não. Talvez, o Senhor, Jesus, e o Espírito Santo".
- "Não. Eu, Jesus e tu, porque o Espírito Santo está em ti".

Franca ficou pasmada. Mas também atenta pelo fato de esta voz responder a objeções.
Para saber entender o que estava acontecendo com ela, Franca, aproveitando um dia em que o marido ficou fora o dia todo, organizou um retiro em sua casa, convidando outras pessoas para rezarem juntas.

            Uma amiga trouxe uma estátua de Nossa Senhora, juntaram algumas flores, uma vela e diante deste oratório improvisado rezaram com fervor. Rezaram cada qual pelas suas intenções e Franca fez rezar por uma intenção particular sem dizer qual era, mas ela pedia para não ouvir nunca mais esta voz.

No fim do encontro, todo mundo saiu e por último a senhora que levava a estátua de Nossa Senhora, que tinha trazido. Dentro de si, Franca pensava "Eh, eu não tenho uma estátua de Nossa Senhora..".

            Improvisamente, sente de novo aquela voz que lhe diz:
- "Coragem, não fiques triste, porque amanhã Eu te farei receber uma estátua de Nossa Senhora".

            Franca ficou mais uma vez perplexa, pois de novo sentia aquela voz, quando acabava de rezar para nunca mais ter de ouvi-la.

        No dia seguinte, depois do almoço, bate na porta de sua casa um rapaz e pergunta à filha de Franca que atendeu, se aí morava uma senhora que ele todos os dias via passar para a Igreja, por baixo das janelas da casa dele. A filha chamou Franca.

            O rapaz, reconhecendo-a, disse-lhe que tinha vindo entregar uma estátua de Nossa Senhora, porque a firma, onde ele trabalhava e que produzia estátuas também, queria jogá-la fora porque saíra com um pequeno defeito. Então tinha-se lembrado dela que sempre ia à Igreja e pediu à firma para entregar-lhe.
Franca agradeceu e sentiu naquele momento a mesma voz que lhe disse:
- "Vês, te prometi que hoje ganharia uma estátua de Nossa Senhora e te trouxe".

            Neste momento Franca se deu conta que aquela voz tinha algo real, pois ela acabava de experimentar um fato concreto que a voz lhe tinha anunciado.

Continuaram temores em seu coração, mas ao mesmo tempo continuaram acontecendo fatos que a foram firmando na realidade e veracidade desta voz.

            Um dia, volta da feira, onde tinha comprado também algumas frutas e verduras. Tira da sacola umas bonitas beringelas e naquele momento sente a voz que lhe diz:
- "Leva esta beringela mais bonita à Ana, tua vizinha".
Neste momento, Franca ficou pensando que não podia ser a voz de Deus, mas uma insinuação do demônio, pois achava tão absurdo o pedido. Foi cuidar dos afazeres de casa e quando foi na hora de aprontar o almoço, foi à cozinha e encontrou aquela beringela toda podre, enquanto as outras continuavam bonitas.

            Maravilhada, ouve dizer:
- "Não te disse que a levasse a Ana, tua vizinha? Tu me desobedeceste. Quero que, quando te falo, tu me obedeças. Afinal, era só um ato de caridade que te pedia, porque sabes que o pai dela gosta muita de beringelas".

            Tempo depois, estava numa Igreja participando da missa e acabava de comungar. Enquanto estava iniciando a sua ação de graça, ouve dizer:
- "Agradecer-me-ás depois. Agora vá aqui perto, onde mora a tua amiga Rita e repreende-a".

            Sem saber em que deveria chamar a atenção da amiga, mas lembrando a história da beringela, Franca vai visitar a amiga. Durante quase uma hora falam de suas vidas, de suas famílias, mas não aparecia motivo algum para dar uma repreensão.

            Agoniada, Franca reza dentro de si: "Ainda cinco minutos e, depois, vou-me embora, Senhor, porque não posso ficar aqui o dia todo". Passado esse tempo, Franca se despede e a amiga Rita a acompanha ao portão de saída.

            Neste momento, Franca lhe diz:
- "Mas sabes que te vejo mais moça, com o cabelo bem penteado, pareces até mais nova".
-  "É –responde- tenho motivo para enfeitar-me".
- "Bom, se queres casar de novo, porque não quer ficar viúva, tem motivo".
- "Não quero não, porque ele é casado, mas nós vamos ficar igualmente  juntos".
De novo, Franca sente a voz que lhe diz fortemente:           
- "Repreende-a, repreende-a".

            Então Franca admoesta severamente a amiga, lembrando que ela e a sua família sempre foram ótimas pessoas cristãs e que Deus não queria isto. A amiga responde que cada um é livre para fazer suas escolhas. Franca lhe responde que é verdade isso, contanto que as escolhas sejam justas.

            Naquele momento a voz sugere que lhe diga que no dia seguinte, a tal hora, naquela tal rua, ela o encontrará com uma outra mulher.

            Assim aconteceu. Uma semana depois aquela senhora foi à casa de Franca para pedir-lhe desculpa pela soberba com que lhe tinha respondido e para confirmar-lhe que de fato o amante estava com outra, como ela lhe afirmara no dia anterior.

Franca, Eu te chamo

      Com estes fatos, Franca começou a avaliar-se sozinha, pensando dentro de si que esta voz era real, porque o que dizia acontecia  e que não podia ser voz do demônio, pois este não convida a não pecar.

      Em seguida, começou a ouvir o Senhor que, quando ela rezava "Senhor eu te amo", lhe dizia: "Franca, eu te chamo". Percebia que a voz vinha sempre do coração.

            Ela inicialmente queria esquecer e mandar embora esta voz, mas insistentemente lhe confirmava "Franca, eu te chamo".

            Então ela perguntou:
- "Senhor a que me chamas?
- "A coisas grandes, filha, a coisas grandes. Vá a um confessor, escolhe-o onde quiser, mas vai a um padre dizer: ‘O Senhor quer que me ajude para fazer o Movimento Carismático".
- "Senhor, - disse - mas eu nem sei o que quer dizer 'carismático', nunca ouvi esta palavra"
- "Peça ao padre que te explique".

            Dias depois, Franca vai a uma igreja do centro da cidade e, entrando, aproxima-se do confessionário onde estava à disposição um padre e conta tudo o que aconteceu.

            O padre pergunta se era ele mesmo que devia ajudar a Franca para fundar este movimento. Franca confirma, dizendo que o Senhor lhe tinha dito "Ao primeiro padre que encontrar no confessionário diga-lhe que te ajude".

            Mas o padre replicou:
- "Eu nem a conheço, minha filha, é necessário antes que a conheça, senão como vou poder fazer". E pedia que Franca perguntasse de novo ao Senhor para entender bem o que estivesse pedindo.

            Franca pediu de novo e o Senhor a mandou de novo dizer àquele padre que queria este Movimento Carismático, que devia ser uma associação das almas que têm dons extraordinários, que era necessário ajudá-las a fazer o discernimento dos carismas, ensinando o uso dos carismas, que era como uma oração."

            Entretanto,  este padre que começou a acompanhá-la foi transferido para Milão, mas Franca pediu a ele que continuasse dirigindo-a espiritualmente e que ela iria visitá-lo quando fosse visitar a mãe dela, que morava numa outra cidade depois de Milão. Assim sem dizer mentiras ao marido, ia visitar a mãe e parava antes em Milão para encontrar-se com seu confessor.

Um dia este padre lhe pergunta: “Mas onde quer o Senhor que se faça este movimento?” e depois de ter consultado o Senhor Franca lhe responde: “Eu perguntei ao Senhor e Ele me disse em Assis”.

        Mas como é possível! Tu moras em Brescia, eu aqui em Milão e o Senhor pede este movimento em Assis...(longe mais de 500 km.) não é possível, terá entendido mal. Depois, minha filha, eu quero um sinal, porque nestas coisas é preciso.

Nossa Senhora da Rosa Mística

          E pede a Franca o seguinte: Havia uma senhora que era minha penitente e dizia de ver a Virgem Maria. Nossa Senhora lhe tinha prometido que teria voltado, mas já passaram vinte anos e nunca mais tinha dado sinal de vida.

            Como acreditar a tantas promessas de carismáticos. Pois bem, se é verdade que o Senhor lhe pede este Movimento, fala ao Senhor que esta penitente volte a ver Nossa Senhora.

       Franca, animada de fé, se põe a rezar apresentando ao Senhor este pedido. Semanas depois, o padre lhe remete um bilhete, por meio de uma pessoa, onde lhe escreve para agradecer o Senhor, porque aquele sinal inequivocável aconteceu. Nossa Senhora manteve a promessa. Ele não tinha dúvida de que a obra a ser realizada era verdadeiramente de Deus.

            Franca soube depois que aquela pessoa era Pierina Gilli a confidente de Nossa Senhora da “Rosa Mística”, de Fontanelle de Montichiari, perto de onde Franca morava.

            Logo que foi possível, Franca passa por Milão e vai visitar o padre espiritual que lhe diz: "Falei com os meus superiores, que me disseram que este é um sinal positivo, mas é... subjetivo, como pode ser demonstrado? Por isso, se faz necessário pedir ao Senhor que te conceda um outro milagre, que tu mesma podes escolher ou o Senhor mesmo, mas que possa ser demonstrado objetivamente.

Franca voltou para casa bastante mortificada e se dirigiu de novo ao Senhor.

“Hoje será para ti um dia magnífico”

       Tempo depois, ela fica doente e os médicos do hospital descobrem um tumor na espinha e, depois de vários exames, os médicos decidem hospitalizá-la para tratamento com raios de cobalto, que lhe deixará um sinal nas costas. Pensavam até que fosse necessário operá-la, embora houvesse um grande risco de que ficasse paralítica.

            Era uma  situação muito delicada e um período difícil para o marido e os filhos. Afinal, o marido entrou em contato com um hospital especializado para que Franca fosse internada e submetida a um tratamento especial ou operada.

            Entretanto nada disso aconteceu, porque Franca foi milagrosamente curada. Um dia pela manhã, quando já estava preparando-se para ir ao hospital, ouve dizer: "Hoje será para ti um dia magnifico" mas, nada aconteceu ao longo do dia.

            Havia somente a tristeza da filha que aprontava a mala porque no dia seguinte Franca seria internada no hospital. Às quatro da tarde, bate na porta de casa uma senhora, amiga de Franca, acompanhada de um senhor que afirma ser um filho espiritual de Padre Pio e apresentando-se a Franca lhe confirma que o Senhor o manda para curá-la.

            Ele começa a rezar sobre a enferma e pede a todos para ajoelhar-se. Depois traça alguns sinais nas costas dela, uma espécie de exorcismo, diria-se hoje. Pegou-a pela mão e, naquele momento, Franca sentiu como um choque elétrico e se sentiu imediatamente curada. Foi convidada a se vestir, pois estava de chambre, e a descer a escada de três andares e a subir de novo, devagar, sem falar com ninguém.

            Depois disso, realmente curada, Franca agradeceu e não foi mais a hospital nenhum, deixando pasmado o marido que quis confirmar com outras chapas a verdade do acontecimento. De fato, nada mais aparecia e ficou assim provado objetivamente o milagre, pela comparação das duas chapas feitas antes e depois.

            Quando Franca pôde ir ao seu confessor este ficou pasmado, reconhecendo neste fato um grande milagre e confirmando assim para ele quanto tinha pedido, como prova objetiva.

            Mas, mesmo assim, ele não se decidia a ajudar Franca para iniciar este Movimento e ficava sempre um pouco triste, quando se sentia solicitado por ela a assumir este compromisso. Talvez não soubesse como fazer, sendo ele também pároco.

“Franca, hoje se acendeu a primeira chama do Movimento Carismático”

       Um dia o Senhor falou para Franca, dizendo de comunicar ao seu confessor que depois de ter pedido e conseguido as provas, devia agora ajudá-la a fazer este Movimento, senão o teria feito sozinha, mesmo sem ele. Com coragem, Franca se encontra com o confessor e comunica isso tudo. Como resposta, o padre despede Franca dizendo que, se o Senhor tinha falado assim, que Ele mesmo pensasse, então, em realizar esta obra.

            Para Franca foi um dia de grande desgosto e voltou para casa cheia de dor e chorando. Não entendia esta atitude do padre espiritual, que lhe pedia milagres e, uma vez realizados, se recusava a atender ao pedido do Senhor.
Já durante a viagem, a voz a consolou dizendo que não chorasse, pois Ele mesmo ajudaria a fazer o movimento, mesmo sem a ajuda do padre espiritual. De fato, chegando em casa, o marido de Franca comunica à família que deverá ausentar-se por uns quinze dias, por motivo de trabalho. Pede a Franca que fosse neste período à casa da mãe dela, no interior, onde melhor podia passar estes dias durante a  ausência dele.

            Ao mesmo tempo, ela se sente dizer, pela voz, que seria a ocasião para ela deixar os filhos com a mãe e ir até Assis, onde encontraria pessoas para iniciar o Movimento. Assim o fez. Chegando lá, sentiu-se convidada a visitar a Catedral de S. Rufino e a se apresentar a um padre que estava confessando. Ela  abriu-se com o confessor idoso daquela igreja contando tudo o que aconteceu. O padre lhe pede para aguardar o fim das confissões para depois poder falar com maior tranqüilidade. Franca abre-lhe o seu coração e este ancião, iluminado pelo Senhor, lhe comunica que ele acredita no extraordinário de Deus e que acredita no que o Senhor pode ter dito ao seu coração.

            O mesmo padre lhe confessa que ele se fez sacerdote porque viu Nossa Senhora. Estava participando da primeira guerra  mundial e ficou ferido gravemente. Não conseguindo os companheiros carregá-lo até o acampamento, foi deixado aí para morrer. O coronel do exército se tinha despedido dele dizendo: "Coragem, coragem, morra como herói".

            Chorando em baixo dos lençóis, ouvia ainda os passos do coronel que se perdiam longe. Mas, de improviso, sente uma mão que levanta o lençol e vê uma belíssima senhora que lhe diz: "Filipe, eu sou Nossa Senhora, se tu me promete se tornar sacerdote eu te curo imediatamente". Ele aceitou e levantou curado.

        Depois desta comunicação de vida, esse padre marca com Franca para celebrar, um dia depois, uma missa especial na intenção do Movimento. Durante a missa Franca ouve a voz que diz:

"Franca, hoje se acendeu a primeira chama do Movimento Carismático".

A partir de então esse padre vai ajudar Franca para fundar o Movimento.

            Assim, de forma extraordinária, surgiu este Movimento, somente por  vontade de Deus. Por isso que, justamente, se diz que a beleza deste movimento é que surgiu do extraordinário de Deus. Não foi uma inspiração, um desejo comum de alguém, mas uma intervenção do Senhor, que se manifestou também com milagres.

Este foi o início do Movimento Carismático, fundado em Assis (Itália), aos 29 de agosto de 1967.